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Crédito rural: produtor de leite

O produtor de leite sente-se no mato sem cachorro quando resolve recorrer a um financiamento para alavancar a atividade. Ele não tem programa de crédito específico. Se quer fechar um contrato, tem duas opções: recorrer a um técnico da iniciativa privada ou pública que possa orientá-lo ou perder, por conta própria, algumas horas se enfronhando na sopa de letrinhas que são as regras de financiamento e ver, naquele emaranhado, qual linha atende às suas necessidades.

No banco, também há obstáculos. Conforme o coordenador do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio de Janeiro (Senar-RJ), Maurício Sales, o setor pressiona para que as agências bancárias, principalmente as do Banco do Brasil (BB), que é responsável por mais de 60% das contratações no País, mantenham um gerente especializado em crédito rural, “que havia, mas acabou”, diz. “O maior agenciador do crédito rural no País é o Banco do Brasil. Temos feito pressão, por meio do Sindicato Rural e de outras instituições, para ter nas agências gente que conheça de crédito rural”, diz Sales, que complementa: “Mas geralmente o produtor vai ao banco com o técnico da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, pública) e direciona o pedido”.

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, pontua, ainda, que há outro problema bem específico na hora da obtenção de crédito. “Como o leite é produto perecível, o produtor não pode utilizá-lo como garantia de operação (como se faz, por exemplo, com soja e milho, onde se trocam insumos pela produção futura)”, comenta. “Assim, o acesso ao crédito com as instituições financeiras, automaticamente, é mais restrito do que para outras atividades, pois o produtor deve apresentar garantia real. Eles produzem, entregam o produto e ficam sabendo quanto vão receber pelo litro de leite 30 ou 40 dias depois”, explica o representante da CNA, sugerindo que o contrato antecipado com os laticínios daria maior previsibilidade da capacidade de pagamento do produtor às instituições financeiras, melhorando as condições de acesso ao crédito.

Fonte: Mundo do Leite 87

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